Contos Eróticos

Dança com o Fogo sob o Luar – Parte II

Contos Eróticos

Dança com o Fogo sob o Luar – Parte II

por Admin Feel
Após o luau, a sós, Isadora e Mateus selam a conexão com um beijo de entrega mútua. Pronta para superar o luto da separação, ela se abre ao desejo. Quando chega a vez dele, o trauma de ter sido abandonado no altar o trava, mas Isadora reverte o jogo com firmeza e ternura. Entre confidências, ela chega à sua epifania: o homem da vida dela é ela mesma. Ao nascer do sol, partem de mãos dadas, transformados pelo fogo que tanto queima quanto ilumina.
Dança com o Fogo sob o Luar – Parte I

Contos Eróticos

Dança com o Fogo sob o Luar – Parte I

por Admin Feel
Isadora, diretora de filmes publicitários e psicóloga de formação, está em Itacaré, na Bahia, num semestre sabático para se recuperar do fim de um casamento de sete anos. Numa praia deserta, dança ao redor de uma fogueira como ritual de cura. Ali conhece Mateus, um economista que também fugiu para o litoral após ser abandonado no altar. Durante um luau, ela encanta a todos com uma dança do ventre intensa e depois caminham pela beira do mar, compartilhando suas histórias de perda. Apesar da resistência inicial dela, Mateus conquista sua confiança com delicadeza até que Isadora baixa a guarda e cede.
Eros e Thanatos: Entre o Desejo e o Luto

Contos Eróticos

Eros e Thanatos: Entre o Desejo e o Luto

por Admin Feel
Alice é uma jovem bonita, inteligente e herdeira de uma família bilionária que, apesar de viver intensamente a juventude e variar de parceiros, nunca consegue chegar ao orgasmo com ninguém além de si mesma — um bloqueio que a deixa dividida entre o desejo (Eros) e uma sensação de pequena morte (Thanatos). Recém-formada, vai trabalhar com o pai, ganha independência, muda-se sozinha, mas segue empurrando a insatisfação sexual para debaixo do tapete, sonhando que alguém faça "a mágica" por ela. A virada vem ao ler uma sexóloga francesa afirmando que o orgasmo não se tem, se aprende a se permitir ter — e Alice adota o mantra "eu me permito sentir prazer", decidida a sair do "país das maravilhas" rumo à vida adulta. É justo quando muda essa chave interna que o destino age: na festa de 40 anos da empresa do pai, deslumbrante em vestido marsala e gargantilha hasli, ela esbarra em Andrei, um engenheiro naval gaúcho de olhos cinza-azulados, e os dois sentem na hora que ali há algo de mágico no ar. por YSIS FOX Quando tinha 20 aninhos e beleza indomada, Alice gostava de variar de parceiros na cama, mas nunca chegava ao orgasmo com ninguém que não fosse ela mesma. O rapaz podia ser um artista nas preliminares. Ela ficava molhadinha, ardendo de vontade. Mas carícias, beijos, dedos, língua, nada a levava ao clímax. Cada vez que seu corpo refugava, a potranca sentia uma espécie de luto. Dividida entre Eros e Thanatos, personificações do desejo e da morte na mitologia grega, a garota mais sexy da faculdade de Administração administrava pessimamente seus dotes naturais. Recorria aos brinquedos ou travesseiros. Quando lembra das transas de sua juventude, hoje a morena de olhos verdes ri. -  Relaxa, comigo você vai conseguir - os rapazes prometiam, um idêntico ao outro. Felizmente, ela tinha outros prazeres na vida, como qualquer mortal. Tomar sol, jogar basquete, meditar, viajar, contemplar a natureza ou ir pra balada com as amigas. -  O pôr do sol em Santorini é uma obra de Deus, mas nem tudo é perfeito nesse mundo, querida. Você tem QI acima da média, é linda, podre de rica e ainda quer gozar? - as amigas zoavam. Sim, ela queria. Why not? Alegre, extrovertida, boa de copo e de bunda (redondinha, lisinha, sem uma estria sequer), o fato de não atingir o orgasmo só servia para derrubar a crença de que o dinheiro elimina problemas. “Se fortunas blindassem o coração humano, a princesa Diana não teria sido infeliz no casamento de conto de fadas”, retrucava, quando as amigas insistiam que ela era uma “pobre menina rica”. Recém-formada, Alice foi trabalhar com o pai, empresário do ramo de mineração e indústria naval. O bilionário sossegou: seu patrimônio finalmente estava em boas mãos. E ainda teria netos, acreditava. Mas Alice canalizava sua energia para construir uma carreira sólida - não para casar. Competente, ganhou posição de destaque no grupo. Orgulhosa de ganhar seu dinheiro, trocou de carro e, meses depois, decidiu morar sozinha. -  Mas você ainda nem casou, sequer tem namorado - o pai protestou. -  Já fiz a faculdade que você sonhou pra mim e trabalho onde você desejou, agora me deixe viver a minha vida, papai - ela reagiu com força de leoa.     O bate boca terminou como sempre, quase empatado: Alice foi embora, mas optou por uma cobertura próxima da casa de sua família - onde passou a dar festinhas animadas. Sua insatisfação sexual? Ela jogava debaixo do tapete. Como toda pessoa romântica, sonhava encontrar alguém que fizesse “a mágica’”. Até o dia que descobriu que a feiticeira deveria ser ela mesma. Foi quando leu numa revista feminista: “Um orgasmo não se tem, se aprende a tê-lo. Ou melhor, se aprende a se permitir tê-lo”, dizia a sexóloga francesa Anaïs Fournier, numa reportagem intitulada Muito Além do Óbvio: Quando o Corpo Feminino Assume o Comando. Aquela verdade universal foi um tapa na cara. Decidida a se mudar “do país das maravilhas”, terra da inocência e juventude, para a vida adulta, Alice criou um mantra: “Eu me permito sentir prazer”. Na prática, a garota que tinha vencido um vestibular disputadíssimo na universidade mais conceituada do país agora era a mulher que tentaria resolver seu bloqueio sexual com a cabeça, como no xadrez: adversidade, estratégia, visão antecipada mas, em vez de controle, descontrole emocional. Foi só Alice alterar o padrão mental que o destino fez a sua parte: na festa de 40 anos do grupo empresarial de seu pai, depois de tê-lo “matado” internamente saindo de casa, Andrei surgiu em sua vida. No evento de gala, a herdeira usava um vestido sem alças em tom marsala e o hasli que o pai havia lhe dado de presente de formatura - uma gargantilha rígida que acompanha a curvatura do pescoço. Ela percebia que atraía olhares no meio daquela profusão de paletós e gravatas com a belíssima jóia. Mas pouco ligava para a ostentação, as conversas superficiais, os negócios. Na festa, só queria renascer. O brinde à empresa foi erguido com champanhe francês quando Andrei despontou no salão segurando uma taça. Ao trombar com Alice, tiveram a mesma impressão de magia no ar: “Já nos conhecemos?”. A celebração estava no auge e se apresentaram. -   Prazer, Andrei - ele disse com voz de veludo. -   Alice - ela estendeu a mão. O gaúcho de 30 anos preferiu cumprimentá-la com um beijinho no rosto. Moreno, cheiroso, ele tinha traços italianos e olhos penetrantes de tom cinza-azulado. -  Impressão minha ou você está meio desconfortável nesse salão efervescente? - Alice quebrou o gelo. -  Acertou. Pareço um peixe fora d’água porque sou um engenheiro naval em terra firme - ele riu. - Mas você também parece um pouco deslocada. -  Deve ser porque sou a filha do anfitrião, trabalho com ele e essa comemoração tem um peso que, às vezes, fica difícil suportar - admitiu. -  Explica melhor, não sei se eu entendi. -  Vamos pegar outro drinque? De taças cheias, o álcool subindo à cabeça, Alice ficou à vontade diante do crush gentil, estável, presente. E resolveu transformar segredos do baú em confidências. -  Sou administradora de empresas, mas só fiz esse curso para atender a vontade do meu pai - confessou com a voz meio pastosa, revelando uma leve embriaguez. - Meu maior sonho era ter estudado Antropologia ou História da Arte. -  E eu sou um engenheiro naval de segunda - Andrei rebateu. -  Categoria? -  Não, de segunda geração - ele riu. - Meu pai também é engenheiro naval, mas não fiz nada forçado. Fiz porque quis. -  Temos histórias bem diferentes. -  Um ótimo pretexto para nos aproximar. Na despedida da festa, deram um selinho e marcaram o encontro seguinte num bar descolado. Agora estavam à sós. Vestidos com menos formalidade, poderiam se conhecer melhor. Um relógio preto chamava a atenção para a cicatriz que Alice achou sexy na mão esquerda dele. Parecia um corte de vidro. Teria sido uma briga? Pediram vinho e petiscos. A conversa animada logo rendeu o primeiro beijo. Quente, demorado, ele desarmou o gatilho do medo de um novo relacionamento. Andrei já confiava nela, contando histórias íntimas de vitórias e fracassos amorosos. Ela, por sua vez, não se sentia mais desfilando com um gato para alimentar o ego, mas descobrindo um ser especial. Finalizaram a noite embriagados num motel luxuoso dormindo de conchinha - e roupa. Acordaram quando o sol raiava. Andrei deixou Alice em casa e foi embora com um bilhete escondido no bolso traseiro da sua calça. Em casa, ele achou o papelzinho dobrado e leu: Muso inspirador, Nunca dormi com ninguém sem transar. Foi um orgasmo incrível. Alice No terceiro encontro, a intimidade cresceu. Alice convidou Andrei para conhecer seu duplex. Encomendou um jantar italiano caprichado; ele levou de presente um tsuru, dobradura japonesa em formato de ave feita por suas próprias mãos. Era branco. -  Que delicado. O que significa? -   Ah, é um símbolo da cultura oriental de paz, longevidade, desejo sincero... Fiz pra você, pra dizer que eu quero cuidar do que está nascendo entre nós. Andrei aceitou uísque enquanto ela terminava de secar os cabelos. Quando voltou, linda e perfumada, ele ficou no sofá de perna cruzada formando um quatro, admirando-a por uns segundos. Ela sentou em seu colo; ele apoiou o copo de uísque no chão. Só se olhavam. Alice molhou os lábios com a língua e, admirando seus belos olhos verdes, Andrei a puxou pela nuca. Engoliu sua boca e ela pendeu a cabeça para trás. O beijo dele alternava dois movimentos: penetrar a língua cada vez mais fundo e recuar, mordiscando os lábios dela. Alice teve sua primeira noite de sexo do bom e do melhor: com amor. O abraço forte e envolvente de Andrei dizia “estou aqui com você”. Transmitia confiança e permitiu que Alice se entregasse física e espiritualmente. Sentiu falta de ar. -  Seu abraço me deu calor. - Quer ligar o ar-condicionado? - Não, quero tirar a roupa. Tirou peça por peça ouvindo Sexual Healing do Marvin Gaye mentalmente. Dançou fazendo o melhor strip-tease da sua vida: sem música, botou pra fora todo o erotismo reprimido disfarçado de altruísmo. Andrei sentiu o pau ficando duro dentro da boxer preta. Seus olhos faiscavam, mas se manteve comportado como espectador. Nua na sala, Alice molhava os dedos na língua e acariciava o bico dos seios. Ou enfiava entre as pernas. Foram abraçados para o quarto, ela pelada, ele de roupa dando tapinhas em sua bunda. Nessa transa Alice descobriu sua “emoção preferida”: sentir-se segura nas mãos de um homem, sendo comida por trás e estimulada na frente - por ele ou por ela mesma, tanto fazia. O importante era sentir que o macho puxando seus cabelos num rabo como se fossem as rédeas de um cavalo tinha autoridade, sabia dominar a fêmea - e fazê-la feliz. Alice entendeu com a pele o que era química entre os corpos. Mas antes de perder o controle de quatro, conheceu as delícias que Andrei sabia oferecer só com a boca. Carinhosamente, ele pediu para ela se deitar de costas e fez uma massagem poderosa. Apertava pontos tensos, soltava os nós musculares, dava prazer a ela. -  Agora quero que você fique imóvel e finja que está dormindo - pediu. Andrei se excitava chupando uma bela adormecida. O clímax era lamber a mulher sem ser notado. De olho nas curvas de Alice, começou a mexer no pau. Aproximou a boca das coxas firmes, deslizou por elas com os lábios, sentiu o cheiro afrodisíaco do sexo da morena. Com o pau duro, tocou a língua de leve na xoxota por trás. Subitamente, ela levantou o quadril, pedindo mais. Ele triscou a língua de novo e tirou. Fingindo sono profundo, ela se virou de lado e deixou as pernas entreabertas. Ele voltou a repousar a boca molhada em seus lábios vaginais e ficou estático. Parecia um peixinho beijando o vidro de um aquário. Em segundos, a xoxota de Alice começou a pulsar como um coração. Daí os dois não precisavam fingir mais. Ele enfiou a cara nela e Alice gemeu alto na hora do gozo. Gemeu sem medo de julgamento, como gata no cio em cima do telhado. Com Andrei, sem medo da entrega, ela viu que o amor era magia. Então chupou aquele pau sem neura de parecer “tarada”. Chupou com vontade o tempo que quis. Bateu punheta olhando safada nos olhos dele. Livre, de vez em quando ainda se esfregava na coxa dele, com shape contornado, numa espécie de masturbação mútua. Fez bem gostoso até ele gozar. -  Hoje nossa transa foi “papai e mamãe” comparado com o que ainda vamos fazer. Vou te realizar na cama e na vida - ele prometeu, sabendo que cada corpo tem engenharia própria e que Alice, aquele mulherão, merecia sexo de alto nível: orgasmo com vontade de estar junto. Totalmente satisfeitos, sentaram-se para jantar. Andrei retomou a conversa da frustração profissional dela. O engenheiro tinha um plano de navegação na cabeça. -  Aquela sua história de insatisfação no trabalho me fez pensar… Já que a administração não te preenche e que você ama antropologia, pensei num projeto de vida pra gente. -  Projeto? Pra gente? -  Vou resumir: que tal se, a cada ano, você fosse a nossa guia numa expedição a um Patrimônio Cultural da Unesco? Eu cuido da engenharia da viagem; você apresenta a cultura dos lugares que a gente explorar. Assim, minha paixão por viagens e a sua, pela antropologia, ganham lugar de destaque na nossa história. Alice limpou os lábios no guardanapo maravilhada. Ele tinha razão. Ninguém nasce para sofrer. A imaginação e o cuidado de Andrei podiam transformar sua vida tediosa na empresa do pai, dissolver dores antigas, passar uma borracha no seu carma. -  Você tá me convidando pra explorar lugares novos ou casar? - Alice brincou, se servindo de queijo ralado. -  Falando em casamento, o roteiro pode ser romântico, por Roma e Veneza, se você quiser. Ou refinado, pela estética de Kyoto; de mistério, nas pirâmides do Egito; de aventura, nas savanas africanas… -  Você planejou tudo? -  Sou engenheiro. E tem mais uma coisa. -  Mais? -  Em cada lugar, a gente poderia deixar uma marca só nossa. Na mesma noite, saboreando um tiramisu, começaram outra diversão com prazer quase sexual: traçar destinos incríveis. Andrei botou pimenta: em cada lugar - decidido por sorteio - realizariam um jogo erótico. Alice quis esboçar a ideia. Pegou uns papeizinhos brancos, escreveu os primeiros lugares que vieram à cabeça e o sorteio inaugural deu Turquia. Os sítios rupestres da Capadócia e regiões históricas de Istambul. Alice escolheu a fantasia “Toda Nudez Será Premiada”: os dois iriam passear de iate pela Riviera turca, explorar as ruínas romanas submersas de Simena, em Kekova, e mergulhar em praias desertas de mar azul turquesa completamente nus. Sem censura. O segundo destino sorteado foi a Geleira de Aletsch, nos Alpes Suíços, uma das paisagens de neve mais deslumbrantes do mundo. O fetiche de Andrei se chamava “A Desconhecida”. Em contraponto com o gelo dos passeios diurnos, eles conheceriam o fogo noturno de um Kontakt Bar, os bares de hotéis de luxo especializados em entretenimento adulto. Como a prostituição na Suíça é legalizada, Alice topou o programa. Andrei queria escolher uma garota linda para uma noite a três. Seu desejo era se masturbar observando Alice beijar e se esfregar na desconhecida. Uma noite sem ciúmes ou limites. O terceiro lugar eleito foi o Japão. Na viagem de exploração dos monumentos históricos de Kyoto, Alice queria ser “Puta por um Dia” - em versão luxuosa, cheia de classe, discreta. Os anos foram passando, o namoro virou noivado, depois casamento. A cada retorno das férias, Alice voltava menos submissa ao pai e com aquele brilho nos olhos de quem desfrutava do sexo não só como fonte de prazer, mas de poder feminino. Seu pai, mais velho e cansado no comando dos negócios, cobrava um neto - que não vinha. Para celebrar 15 anos de união, Alice e Andrei trocaram o sorteio pela escolha de cenário a dedo: a Índia. Queriam ver de perto a mais icônica prova de amor do mundo, o Taj Mahal, mausoléu gigante de mármore branco com pedras preciosas incrustadas construído a pedido do rei Shah Jahan para guardar os restos mortais de sua esposa favorita. O casal viajaria 14 mil quilômetros para honrar seu próprio amor infinito diante do túmulo que mistura luxo, beleza e tristeza - e é considerado uma das sete maravilhas do mundo. Em segredo, Andrei encomendou um hasli de ouro maciço mais robusto do que a peça que Alice havia ganhado do pai em sua formatura, com o qual iria presenteá-la nos jardins do palácio, ao redor do espelho d’água. Depois iriam jantar. Apreciador da podolatria, o fetiche de Andrei seria “Jogado Aos Seus Pés”. Alice foi convidada a excitar o marido com discrição máxima durante o jantar num restaurante estrelado. Seria a primeira fantasia do casal a ser realizada em público. Preparando-se para a viagem, ela escolheu esmalte perolado nas mãos e vermelho nos pés. Feliz, mostrou para Andrei a tornozeleira de ouro branco com diamantes que tinha comprado para apalpá-lo debaixo da mesa. Dormiram abraçados na antevéspera do embarque. Por volta das 3h da manhã, o celular de Alice tocou. -  Preciso falar com você - dizia o mordomo da casa do pai dela. -  O que aconteceu? A essa hora só pode ser coisa ruim. -  Infelizmente. O pai de Alice morreu de infarto. Foi enterrado na véspera da viagem do casal. Na volta do cemitério pra casa, Alice encolheu de tamanho. Chorava tanto pelos cantos da casa que caiu de joelhos no chão. “Então é assim, na sarjeta, que fica a filha quarentona ao perder o pai com quem travou mil batalhas, a quem amou tanto quanto odiou?”, ela pensava. Andrei a observava no fundo do poço - até ela perceber que não teria outro caminho, a não ser subir. De olhos inchados, inerte, fora do corpo, ela quis saber: -  E agora, o que a gente faz? -  Temos que escolher, Alice. Ou a gente segue no luto e fica em casa ou mantemos os planos e embarcamos amanhã. -  Entendi. Temos que escolher entre Eros e Thanatos - disse Alice olhando para as malas abertas em cima da cama. Lidar com a morte talvez seja o maior aprendizado da vida. Ao concluir que a viagem poderia tornar seus momentos de tristeza menos dolorosos, Alice tomou a decisão. Andrei deduziu que ela tinha escolhido Eros - sabendo que Thanatos faz parte do caminho - quando a viu colocar na mala a tornozeleira de ouro branco. FIM   ÓLEO SENSAÇÕES Um óleo. Quatro sensações em camadas — tudo em uma só aplicação. Terpenos, Jambu Amazônico, canela e hortelã pra acender o que a rotina apagou e fazer o corpo lembrar como responder. QUERO SENTIR
A Última Cliente da Noite

Contos Eróticos

A Última Cliente da Noite

por Admin Feel
Às vésperas dos 49 anos, depois de dois divórcios e um filho já adulto, uma mulher decide que não vai mais pedir desculpas por querer sentir prazer. Larga o medo, larga a culpa e aceita um convite inesperado de um velho confidente: um drinque no apartamento dele. No alto de um loft com vista panorâmica para a cidade, o que era amizade vira cumplicidade — e ela descobre que recomeçar a vida também é recomeçar a se permitir. Uma história sobre maturidade, desejo e o direito de buscar o deleite no aqui e agora. por YSIS FOX Mulheres maduras sabem que todos os dias pode acontecer uma desgraça. Alguém pode morrer, ser demitido, descobrir uma doença grave, levar um pé na bunda do seu grande amor… Por isso, a felicidade não pode ser algo distante. Temos que buscar o prazer no dia a dia. Taurina, em breve eu completaria 49 anos e não queria mais me desculpar por ser quem sou e fazer o que faço. Divorciada duas vezes, um filho universitário, bem sucedida na profissão, decidi ter menos culpa e mais deleite. Larguei os medos pra lá porque descobri que eles dizem muito mais sobre histórias internas do que um perigo real. Com essa nova mentalidade, deixei meu carro estacionado num lugar escuro da rua e entrei naquele prédio majestoso com autoconfiança. “Inspira, expira”, eu repetia mentalmente. Ele tinha entrado de moto pela garagem e nos encontramos no saguão. Sorridentes, trocamos um selinho na subida do elevador. Daí em diante, nos tornamos cúmplices. Éramos dois desejos saindo do armário, dois adultos querendo brincar. Eu disse “adultos”. Portanto, fosse ele quem fosse, arrependimentos não entrariam no jogo. Descemos no 24º andar. Ele usou a impressão digital para abrir a porta e me pegou pela mão, levando para dentro de seu apartamento. Explorei a decoração primeiro com os olhos. Tons neutros, linhas retas, pé direito alto e sem divisões, ele morava num loft. A iluminação, baixa e indireta, favorecia o encontro a dois. Numa das paredes, um feixe de luz vermelha incidia sobre um quadro com a silhueta de um casal nu se abraçando. Por mais surreal que fosse, eu estava diante de uma vista panorâmica de 180 graus com ele só pra mim. Evitei demonstrar um entusiasmo exagerado e ele me deu uma encoxada por trás. - Sei tanto de você, dos seus amores, desamores, do filho, do trabalho. Agora você vai saber um pouco de mim - falou sem dar voltas. Mexeu nos meus cabelos, beijou meu ombro direito. De fato, ele era meu confidente há anos. Eu, nada sabia de sua vida. Apenas que não competia com fêmea. Pelo contrário, dava corda para ela brilhar. Isso bastava para eu sentir uma certa atração desde quando o conheci. Uma década depois, quando eu começava um capítulo novo da minha vida chamado “Agora é a Minha Vez”, ele me fez o convite-surpresa: “Vamos tomar um drinque lá em casa?”. Minha noite estrelada estava só começando e já tinha sabor de vitória. - Tá vendo aquele clarão? - perguntou apontando o dedo na janela de vidro do piso ao teto. - Impressionante. É um recorte perfeito da tradição paulistana noturna, né.   Pedi um binóculo, ele me trouxe. Os refletores potentes do Jockey Club estavam focados na pista de areia cheia de obstáculos. Era uma prova de hipismo e os cavalos, mesmo à distância, davam um show de potência e elegância. O clarão criava contraste com a mancha escura de um parque ao lado. A cidade ao redor seguia viva, com sua constelação de luzes artificiais dos arranha-céus. Só aquele panorama já valia por um gozo. Apoiei o binóculo sobre a mesa de jantar e ele me segurou pela cintura. Relaxei, colocando as mãos atrás da minha cabeça, abrindo os cotovelos e movendo meus quadris para os lados. Sutilmente, me esfreguei no corpo dele. Eu me sentia poderosa com aquele novo corte de cabelo “tipo Gisele”, com ondas e luzes. Usava vestido envelope azul marinho com sandália de amarração no tornozelo e echarpe no pescoço. “Preciso de uma trilha sonora envolvente”, pensei. O momento era sensorial e nessas horas só funciono com música. Ensaiei uma dança com movimentos sinuosos de ombros para frente e para trás olhando fixamente naquele par de olhos de âmbar. Ele entendeu que eu queria mais que silêncio. Pegou o controle remoto e ligou o som em volume baixinho. A playlist era boa, reforçando o clima natural da nossa aproximação. - Uísque com gelo ou caubói? - Duas pedrinhas, por favor. - Estou feliz porque você veio. - Eu também, nunca esperei que ficaríamos a sós. - Eu sempre quis, mas soube esperar. Não tenho pressa.   Apontando um dos sofás em tom grafite, ele me ofereceu o copo de vidro robusto e sentei de pernas cruzadas. “Inspira, expira”. - Você está linda com essa echarpe. Ela te deixa ainda mais sensual. Posso perguntar onde você comprou só pra disfarçar minha vulnerabilidade? Rimos dessa “vulnerabilidade consciente” e me lembrei na hora da viagem que fiz meses antes: Barcelona, Madri, Sevilha e Marrocos. Foi uma trip marcante. Só lugares quentes para compensar o casamento que tinha esfriado. Durante os passeios, eu e meu ex procurávamos em vão a felicidade do início do namoro. Estímulo visual não faltava. O colorido das especiarias, os tapetes com desenhos geométricos feitos à mão, as cerâmicas e outras riquezas do artesanato de Marrakech aguçavam nossos sentidos. Mas relações longas correm perigo. Elas desgastam. Muitas acabam. No meu caso com o ex, o respeito prevaleceu até o fim. Até o dia em que a casa desmoronou. Tivemos essa benção e seguimos em frente, cada um para o seu lado. Claro que depois da separação, a primeira coisa que eu fiz foi mudar o corte de cabelo. - Comprei essa echarpe em Marrakech, um lugar fenomenal. Conhece? - Já viajei muito pra Ásia, mas do continente africano, só conheço o nordeste. - E eu nunca fui para o Egito, acredita? - Podemos trocar: você me apresenta o Marrocos, eu te apresento o Egito.  Senti que o uísque começava a subir quando ele desenrolou a echarpe do meu pescoço. As mãos dele sempre me impressionaram: ágeis, firmes, talentosas. Naquele momento, eu só queria estar presente. Observá-lo sem ansiedade por outros ângulos, me sentir viva. Então fechei os olhos e o deixei brincar. Pegou a echarpe, cheirou meu perfume impregnado nela e passou a envolver o tecido em meus pulsos. Achei graça de estar sendo “algemada” com uma tira colorida de seda. Respirou fundo, me pegou no colo e, com lenta ousadia, me levou até sua cama. Deitou meu corpo de maneira estratégica, deixando meu bumbum próximo da beirada e minhas pernas soltas no ar. “Inspira, expira”. Deitada sobre a colcha, mãos logo abaixo do umbigo, pedi que tirasse minhas sandálias. Ele obedeceu beijando primeiro meu pescoço, me fazendo contrair os ombros. Beijou, lambeu minha nuca e fui me arrepiando sem poder fazer muita coisa porque estava de mãos atadas. Logo eu, sempre ativa, agora fazia a passiva. Ele se aproveitava de mim e eu deixava. Ser tratada como “frágil” era uma experiência nova pra mim. E foi justamente a sensação de impotência que despertou meu instinto animal. Tirou a camiseta e que delícia de peitoral bronzeado. Também avaliei os braços musculosos, que levaram nota dez. Ou ele nadava ou malhava. Soltou o cinto com fivela metálica de caveira e ficou descalço. Adoro homem descalço, usando só jeans. Com um movimento calculado, ergueu meu vestido até os quadris e me virou de bruços. Daí que minhas mãos, imobilizadas, se encaixaram perfeitamente em mim mesma. Era só querer para eu me dar prazer. Eu quis. Por dentro da minha calcinha, um triângulo preto, minúsculo e transparente, comecei a me masturbar sem repressão interna, outra experiência nova pra mim. Ele gostou e ajudou, passando a mão na minha bunda, e depois a língua. Empolgado, me mordeu de leve e até deu uns tapinhas no estilo mezzo cafajeste, mezzo atrevido. Tudo me excitava. Fiquei ali, gozando de dois estímulos: comigo mesma, pela frente, e com ele, por trás. Quando ele percebeu que eu estava ofegante e perdia os sentidos, pegou o cinto com fivela de caveira e amarrou meus tornozelos. Sem machucar, sem dor, o barato dele e meu era só prazer. Mesmo vestida, eu me sentia nua. Imóvel, quietinha, de bumbum empinado e mãos ainda atadas. A passividade, às vezes, é útil. - Espera aí que eu já volto - avisou. Foi ao toalete e voltou com duas toalhinhas de mão brancas umedecidas com água quente (aquelas típicas de restaurante japonês). Abriu a primeira e começou a esfregar no meu pé direito. Envolveu um dedo por um, passou no calcanhar, na planta e no peito do pé. Com a outra toalhinha ainda quente, repetiu tudo no pé esquerdo. Que sensação deliciosa. A versão masculina da gueixa existe - pelo menos existiu nessa noite pra mim. Enquanto acariciava meus pés eu sentia o corpo relaxar até a nuca. Naquela hora, eu quis a presença física dele dentro mim. Eu queria dar pra ele meus ombros, as costas, os seios, a vagina, a boca, eu toda. Queria dar bem gostoso. Que ele me comesse com os olhos, o garfo, a faca. Da entrada à sobremesa. Quando beijou meus pés repetidamente, um de cada vez, pedi água. Que delícia era aquela? Nunca tinha sido beijada nos pés por ninguém, ainda mais beijos sem pressa “sabor-de-uísque”. Pedi pra beijar minha boca. - Do que você mais gosta no beijo? - De ser surpreendida. Desamarrou meus pulsos e nos deitamos de frente um para o outro. Colou o rosto no meu e, em vez dos lábios, usou os cílios, abrindo e fechando os olhos ao redor da minha boca. Disse que eram “beijos de borboleta”. Aquela sutileza foi um estímulo absurdo. Ele tinha essas coisas etéreas. Usava leveza, delicadeza, tinha uma pegada quase imaterial. Senti cócegas com o toque das asas de borboleta imaginárias e minha pele começou a formigar. Eu não precisava fingir nada. Ele sabia dar a uma mulher o prazer de ser ela mesma. - Entra na minha boca, por favor - pedi em tom de socorro. O beijo dele, de língua, foi longo e molhado. Daqueles de sentir as pernas bambas. Eu estava pronta para ser dominada quando ele foi até o guarda-roupa e trouxe uma venda de veludo cor de vinho. Tapou meus olhos sem perguntar se eu queria. Fiquei no escuro sem dar um pio. - Agora sim, vou entrar na sua boca - falou com voz de sacana. Me pediu para sentar na beirada da cama de olhos vendados e ficou de pé na minha frente. Percebi que tinha aberto o zíper quando me empurrou na direção certa. Com meia sutileza, me ofereceu o seu pau. Qualquer esforço da minha parte foi dispensável porque ele já estava excitado. Toquei-o com as mãos, os lábios, a língua, enfiei tudo na boca e tirei. Várias vezes. Até sentir que ele ia gozar. Parei na hora certa e pedi pra deitarmos de conchinha. - O que mais te dá prazer? - ele me perguntou. - A sensação de estar fazendo algo proibido.   Fizemos de conta que éramos primos e que o sexo rolaria em circunstâncias desfavoráveis. Continuei de calcinha, deixando que ele a abaixasse até meus joelhos para se enfiar dentro de mim com dificuldade. Ele entrou devagar e foi ganhando espaço. “Não podíamos demorar, alguém podia nos flagrar”, pedia a fantasia. Mexi os quadris em sentido horário e anti-horário e aumentei o ritmo enquanto apertava e soltava voluntariamente o pau dele. Foi o suficiente e ele gozou primeiro, nessa penetração. Eu fui depois, com o antebraço dele friccionando o meio das minhas pernas. Eu quis assim e agora sabia pedir. Permanecemos deitados em silêncio durante uns minutos, até a respiração voltar ao normal. Na volta pra casa, tomei banho e escrevi no meu diário: “Hoje eu cumpri minha promessa e tive um momento feliz surpreendente. Com o homem que me faz sentir a mulher mais linda do universo há pelo menos uma década”. Mudei minha rotina e marquei horário fixo: dali em diante, um sábado por mês, quando o salão funcionava até mais tarde por causa das festas e casamentos, eu me tornei sua última cliente da noite. A mulher que ele poderia deixar linda e depois levar para casa. Meu amante agora era o meu hétero e etérico cabeleireiro.   ÓLEO SENSAÇÕES Um óleo. Quatro sensações em camadas — tudo em uma só aplicação. Terpenos, Jambu Amazônico, canela e hortelã pra acender o que a rotina apagou e fazer o corpo lembrar como responder. QUERO SENTIR
Pool party? - Feel

Contos Eróticos

Pool party?

por Admin Feel
2 de janeiro. São Paulo. Um calor insuportável. Todos meus amigos viajando, eu não dei sorte na escala de fim de ano. Um sol pra cada um na cidade, ou até mais, já que as ruas tão desertas e não tem uma alma viva por aí. Acordo toda suada. São 7h12 e já tá quase 30 graus. Verifico minha escala, só preciso chegar às 14h. Decido aproveitar que o prédio tá vazio pra tomar um sol e aproveitar a piscina do prédio.
Contos Eróticos da Amahle: Episódio 04 - Não faça barulho

Contos Eróticos

Contos Eróticos da Amahle: Episódio 04 - Não faça barulho

por Time Feel
Entraram no apartamento andando na ponta dos pés e foram direto para o quarto. Amahle tinha um pequeno frigobar que fazia função de mesa de apoio e tirou de lá duas long necks.
Troquei uma DR por DP

Contos Eróticos

Troquei uma DR por DP

por Admin Feel
Eu amo homens bissexuais. Mas, não, isso não é uma tara ou algum tipo de fetiche. O que eu gosto é o fato de se aventurarem em dois mundos tão diferentes, aproveitando o melhor de cada. Da aspereza à maciez, da dominação à entrega, da força à gentileza, sabendo que cada um desses aspectos pode vir de qualquer pessoa.
Contos Eróticos da Amahle - Episódio 03: Enfim, a lista - Feel

Contos Eróticos

Contos Eróticos da Amahle - Episódio 03: Enfim, a lista

por Time Feel
Todo mês conheça uma parte da jornada de Amahle, contada e escrita por Monique dos Anjos. Embarque nessa nova série erótica tão deliciosa e tão profunda.
O Barbeiro: Ele me amou por ser livre - Feel

Contos Eróticos

O Barbeiro: Ele me amou por ser livre

por Time Feel
O barbeiro me segurava pelo quadril fazendo por mim o movimento de sobe e desce enquanto eu estimulava minha vulva todinha com uma das mãos. O vidro embaçado, o receio de sermos pegos e o fato dele mandar muito bem fizeram com que gozar fosse inevitável.
Contos Eróticos da Amahle - Episódio 02: Um crime não premeditado

Contos Eróticos

Contos Eróticos da Amahle - Episódio 02: Um crime não premeditado

por Time Feel
Fazia semanas que Amahle havia estado no retiro onde encontrou uma ligação direta com suas maiores fontes de prazer. Perder a hora das reuniões online tinha se tornado rotina, os banhos eram intermináveis e sua casa estava cheia de carregadores. 
O ciborgue que me amava - Feel

Contos Eróticos

O ciborgue que me amava

por Time Feel
“Você chegou ao 307° andar. Bem-vinda à casa, Cassandra”. Ela adorava aquela voz robótica recebendo-a quando finalmente terminava suas horas de trabalho e entrava no seu apartamento. Em sua mente, por trás de cada máquina, de cada ação tecnológica, havia uma forma de inteligência não artificial, mas humana e afetiva. “Prefiro computadores a pessoas”, costumava dizer.
Contos eróticos da Amahle - Episódio 01: A descoberta

Contos Eróticos

Contos eróticos da Amahle - Episódio 01: A descoberta

por Time Feel
Escrito por Monique dos Anjos, escritora de contos eróticos e jornalista.   Episódio 1: A descoberta De Catuaba à Ayahuasca , passando por hipnose e psicanálise, Amahle já havia tentado provavelmente de tudo em busca de um orgasmo. E nem precisaria ser múltiplo, explosivo, úmido. Ela só queria entender o que suas amigas estavam falando quando descreviam a sensação – teoricamente – maravilhosa de perder o controle do corpo todo, sentir espasmos musculares e pequenas descargas elétricas na vulva que as deixavam com uma mistura de exaustão e vigor total ao mesmo tempo.  Portanto não é de se estranhar sua nesse presença retiro de bem-estar sexual com uma dose levemente excessiva de positividade hippie . Enquanto Vica, sua melhor amiga, está despida da cintura para baixo, com um espelho de mão perfeitamente posicionado para que possa conhecer sua zona íntima, Amahle sequer descruzou as pernas.  Decidida a não ser taxada de puritana dentro daquele círculo de mulheres de todas as idades, algumas que poderiam ser sua filha, caso tivesse uma, ou sua mãe e até avó, ela respirou fundo, pensou “dane-se” abrindo-se figura e literalmente para o exercício.  O comando da terapeuta tântrica de braços torneados e uma pele que só poderia ser descrita como feita de chocolate e pó de ouro era simples: conheça seu corpo.  Foi inebriante e encorajador sentir o ambiente ser tomado um pouco um pouco por cheiros cítricos, ora avinagrados, ora com notas florais, que se perdiam em meio ao odor típico de sabonetes íntimos que substituem nosso aroma peculiar por uma versão farmacêutica. Amahle passou a levar a sério a atividade quando, em vez de olhar ao redor, tomou coragem e encarou o espelho.  Se fosse uma preparação psicológica precisa para se enxergar agora diante de uma placa, imagine-o olhando não seu corpo como algo coeso, mas buscando detalhes em sua vulva, seus grandes lábios, clitóris e cavidades? O que viu, porém, a surpreendeu. Percebeu em si uma poesia concreta, daquelas que desmontam palavras e só fazem sentido para quem se empenha em decifra-las. Reconheceu ali, na sua parte mais oculta, formas da natureza que não lembravam nem flor, nem fruta, mas gotas escorridas de uma vela doce e perfumada, que juntas formavam marcadas como a água do rio deixa na areia. No fim da dinâmica, a sensação era de que, venceu o preconceito que ela tinha contra si, não havia mais barreiras para superar. O orgasmo finalmente parecia algo possível.  Quando recebeu a tarefa do dia seguinte: ir para o quarto se masturbar usando o mesmo espelhinho, sentiu que aquele era um jogo ganho. Ledo engano. Foram minutos a fio buscando inspiração, relembrando jogos sexuais, tocando o corpo ora com gentileza, ora com afinco, mas sem nenhum resultado perto do prazer transcendental vendido no folheto do retiro. “Quero meu dinheiro de volta”, pensou.  A última noite, porém, reservaria surpresas que só mesmo o final de uma viagem, quando as expectativas já estão reduzidas a zero, podem proporcionar. Uma desistência a permitiu receber uma massagem para liberação da sua energia sexual. Vica havia avisado que, cansada, não sairia do quarto nem para jantar. Talvez tivesse conhecido alguém, talvez estivesse mesmo cansada... de tanto gozar. Ela era uma dessas amigas competitivas que faria de tudo para tirar nota dez, mesmo que aquilo não fosse um campeonato e que a recompensa fosse puramente interna e subjetiva.  Quem realizaria a massagem seria a professora que conduziu todo curso. “Fico feliz que você tenha vencido mais essa barreira”, disse a Amahle. O quarto em nada lembrava as salas de Spa que ela já havia frequentado. No lugar de uma maca, uma cama box alta, com quatro pilares que sustentavam um tecido de voil, dando a impressão de que estavam em uma tenda em algum lugar perdido do deserto. Velas de todos os formatos e cores se espalhavam junto a pilhas de livros, itens de decoração em madeira e suvenires. A música parecia o som de um murmúrio, o chamado de uma voz feminina que urgia por algo não conquistado. Nada sobre aquele momento seria como qualquer outra experiência que Amahle já havia participado. No lugar de óleos essenciais, lubrificante. Em vez de rolos e ventosas, um singelo vibrador bullet. “Devo tirar a roupa?”, perguntou sem encarar a terapeuta. “Fique como se sentir mais confortável, mas não se esconda atrás de camadas artificiais”, ouviu como resposta. O recado era claro: deixe o pudor – e as roupas – de lado.  Amahle se deitou, nua, exposta, insegura e com os músculos contraídos, esperando qualquer tipo de conversa para quebrar o gelo. No entanto, não havia lugar para encenações. Ao sentir suas pernas sendo abertas gentilmente e uma leve pressão no púbis que a convidava a relaxar o quadril, parou de tentar antecipar o que aconteceria e se rendeu. Sentiu mãos suaves tocarem sua pele dos pés a cabeça sem a intensão de massagear propriamente, mas de estabelecer contato. A sensação de ter a ponta de dedos tão suaves, umedecidos e gentis passando por suas costas e acariciando a nuca era quase vertiginosa.  Sem entender o porquê Amahle começou a chorar. Chorava e ao mesmo tempo se abria mais e mais para tudo o que estava recebendo.  Ao escutar o som suave do vibrador sendo ligado, temeu não estar pronta. Porém, depois de sentir vibrações nos ombros, nas curvas de sua cintura e se arrepiar sentindo seus mamilos serem estimulados, foi ela mesma quem pediu por mais.  “Me diga se a intensidade está boa assim”, ouviu. “Sim”, foi a única palavra que conseguiu pronunciar. A massagista se demorava percorrendo suas virilhas, grandes lábios e passando o vibrador por cima de seus pelos, quase como se não quisesse tocar a pele, até que Amahle sugeriu: “mais”. Simultaneamente, a intensidade aumentou e uma pequena bala tocou a ponta do seu clitóris. Pela primeira vez ela o viu duro, estendido, desejoso de mais contato. Suas pernas eram o mais abertas possíveis, ela gemia ainda que tentava abafar suas reações e se via apertando o bico dos seios enquanto suas quadris se moviam descoordenadamente sob os lençóis. Logo um ponto fez com que o prazer se centralizasse como uma linha de laser que caminha da vulva até seu cérebro, mandando-o entregar todo o que conheceu aquele até momento sobre prazer e satisfação. Percebeu seu corpo tremer, seus pés se curvarem quase como em câimbras e sua barriga contrair até que pedisse clemência. “Se existe um limite para a dor, deve haver também para o prazer”, pensou. Por um segundo achei que iria desfalecer. Mas foi apenas o que algumas pessoas descreveram como ter um orgasmo.  Amahle saiu da sessão sorrindo. Deixou a cama molhada, o constrangimento e a insegurança sobre a capacidade do seu corpo e recebendo prazer atrás de uma porta que não voltaria a abrir.  Na manhã seguinte, enquanto se preparava as malas para conferir uma ideia louca que lhe ocorreu: e se tentasse recuperar os anos perdidos de orgasmos magníficos com namorados que ela julgava incompatíveis? Será que agora ela se sentiu “curada”, eles saberiam fazê-la gozar? Amahle resolveu ir atrás dessa resposta, uma transação após a outra.  Monique dos Anjos é escritora de contos eróticos para mulheres, jornalista e estuda gênero e raça para pesquisas acadêmicas. Além dos trabalhos de escrita, desenvolve palestras sobre letramento racial e equidade de gênero.