Dança com o Fogo sob o Luar – Parte II

Dança com o Fogo sob o Luar – Parte II

por Admin Feel

 

Você está lendo a Parte II de Dança com o Fogo sob o Luar. Perdeu o começo? Leia a Parte I aqui e descubra como Isadora e Mateus se encontraram.
Reunidos a sós após o luau, Isadora e Mateus selam a conexão com um beijo de entrega mútua. Pronta para deixar para trás o luto da separação, ela se abre ao desejo, e Mateus a conduz a um intenso momento de prazer à beira-mar. Quando chega a vez dele, o trauma de ter sido abandonado no altar trava o economista, que teme decepcioná-la — mas Isadora, com firmeza e ternura, reverte o jogo e o reconquista. Entre confidências sobre a verdade e as feridas do passado, ela chega à sua própria epifania: o homem da vida dela é ela mesma. Ao nascer do sol, partem de mãos dadas, ambos transformados pelo fogo que tanto queima quanto ilumina.

por YSIS FOX


- Você é linda - ele disse, acariciando os cabelos longos que o vento bagunçava. - Não vai ficar muito tempo sozinha.

- Não sinto medo de solidão, só da mentira - respondeu convicta.

As caipirinhas acabaram e Mateus fincou os dois copos na areia, simbolizando um casal de estátuas. Olhando firme para Isadora, puxou-a para perto do seu corpo e fez com as duas bocas se encaixarem - desta vez com prazer sensorial explícito. Sentiram juntos que seus lábios eram compatíveis e o movimento de línguas, excitantemente coordenado. O beijo teve sabor de descoberta, calor, ritmo e uma entrega sutil. Um beijo gostoso que acendeu o desejo dos dois devagar, fazendo cada corpo sentir a temperatura aumentar.

- Você beija bem demais para ser verdade - ela disse confiante.

- Não é o meu beijo. É o jeito que você me deixa.

O tempo tinha passado veloz e restavam poucos convidados quando foram de novo para o sofá de almofadas de veludo turquesa. Um casal que se agarrava na ponta da praia entrou no carro e partiu feliz. O aniversariante cochilava no banco traseiro de sua picape. Três amigos acenderam um baseado e foram embora fumando, caminhando e rindo.

Ficaram a sós. Logo amanheceria e Mateus convidou Isadora para se despedir das estrelas. Deitados no sofá circular, contemplaram o céu por uns instantes. Mateus a beijou de novo. Sentiu o perfume dos seus cabelos, cheirou sua nuca e passou a mão em suas coxas. Isadora não queria mais perder tempo. Fechada em copas desde a separação, lembrou dos girassóis que, de um botãozinho verde, se transformam numa grande flor amarela. Transformação era o desejo dela. Do ódio em amor, da vingança em perdão. Talvez o segredo para se curar fosse viver. Seguir em frente. Sua dança permitiu a abertura.

- Posso sentir você, seu calor? - Mateus acariciou o baixo ventre dela.

- Não é muita loucura fazer isso aqui?

- Tomara que seja.

Ele usou primeiro o dedo médio para explorar por dentro da calcinha dela, já úmida. Tirou e lambeu, aprovando o cheiro de fêmea no cio. Enfiou de novo, junto com o indicador, e o prazer de Isadora foi construído em ondas enquanto a troca de estímulos crescia. Ele mantinha os dedos dentro dela, fazendo pressão; ela respirava mais rápido e movia os quadris, rebolando na mão dele com suas terminações nervosas vaginais cada vez mais sensíveis, a pele se arrepiando da cabeça aos pés. Mateus prolongava essa sensação alternando intensidade e ritmo. Com os dedos, fazia pressão dentro dela.

- Meu prazer hoje é te dar prazer - prometeu baixinho.

Literalmente nas mãos dele, Isadora estava pronta para gozar. Sem cerimônia, pediu que Mateus enfiasse mais fundo e pressionando sua mão sobre a palma da mão dele, indicou o clitóris, onde queria movimentos firmes de fricção. “Me chama de vagabunda, de puta e piranha”, ela pediu. Ele obedeceu direitinho e Isadora gozou. Sem chamar atenção, sentiu a delícia do corpo inteiro estremecer e se encolher involuntariamente, as pontas dos pés curvadas para cima, os olhos revirados, a boca aberta num gemido baixo.

- Foi meu primeiro orgasmo a céu aberto - cochichou no ouvido dele, ofegante.

- Nunca dei prazer para uma mulher tão livre.

- Recebo o elogio. Eu tolero a falta de segurança melhor do que a falta de liberdade.

- Você não é uma fantasia masculina, é uma mulher de carne e osso que sabe sentir prazer e exala liberdade por todos os poros. Isso é altamente excitante.

- Então agora é a sua vez.

Estava difícil para Mateus apagar da memória sua tragédia e parar de ruminar a rejeição no altar diante de seus familiares e convidados. Quando pediu a ex-noiva em casamento, ele recebeu um “sim” convincente. Os preparativos foram cheios de emoções e detalhes. Daí veio a desonra. O trauma. Deixar o noivo no altar era coisa de filme B, novela mexicana, ele poderia tolerar qualquer coisa, até uma traição seria melhor do que o abandono perante o padre. Fora a humilhação pública, ainda teve de enfrentar o tabu de que homem não chora. Mas agora que podia ser ele mesmo, revelou seus sentimentos.

- Você sabe, tô numa fase difícil, não tenho conseguido me concentrar - explicou, deixando transparecer o medo de brochar.

- Já me faltou juízo, mas coração não me falta. Goza comigo, meu bem - ela convidou com jeitinho.

- Sinto muito, mas vou te decepcionar.

 

Sem levar um “não” para casa, Isadora montou nele como se fosse um cavalo selvagem. Esfregando-se no corpo sarado do moreno, desabotoou lentamente a camisa azul-marinho. Apertou os mamilos, lambeu e mordiscou. “Vou te fazer todinho”, cochichou. Pego de jeito, Mateus suspirou sentindo a circulação sanguínea aumentar e teve uma ereção. Isadora sabia conduzir um boquete com maestria. Desceu o zíper da bermuda e colocou o pau dele pra fora. Admirou as veias grossas e inchadas, deslizando os dedos de cima até a base. Encostou os lábios devagar, começou a chupar a cabecinha e só depois engoliu toda a vara. Repetiu o movimento até sentir o caldo quentinho e melado, de amor condensado, descendo pela garganta - como os sextantes. Sextou para os dois.

Ficaram abraçados e saciados até que o céu começou a clarear.

- Você acha que a verdade pode matar? - ela perguntou, deitada sobre o peito dele.

- Eu prefiro a verdade, sempre.

- Até hoje eu não sei se fui traída pelo meu ex, mas essa dúvida não me incomoda mais. Nada como o fogo para transmutar sentimentos que apodrecem no coração.

- Você vai encontrar o homem da sua vida, Isadora.

- Já encontrei, Mateus. O homem da minha vida sou eu.

Com o nascer do sol, foram embora de mãos dadas, os dedos entrelaçados como se fossem um casal de uma vida inteira. Da bela fogueira, agora só restava um tapete de brasas vermelhas, quase inativas. “O mesmo fogo que queima também pode iluminar”, Isadora pensava na volta pra casa, saboreando a nova sensação de triunfo e força interna. “A dor passa, o brilho volta, o ciclo muda. Nada dura para sempre”, pensava Mateus.

FIM

ÓLEO SENSAÇÕES

Um óleo. Quatro sensações em camadas — tudo em uma só aplicação. Terpenos, Jambu Amazônico, canela e hortelã pra acender o que a rotina apagou e fazer o corpo lembrar como responder.

QUERO SENTIR