Sol de fevereiro

HISTÓRIAS ERÓTICAS PARA MULHERES LIVRES. SE INSPIRE E DESPERTE A SUA IMAGINAÇÃO PARA SENTIR NA INTENSIDADE QUE VOCÊ DESEJA. CONTOS PARA GOZAR, SE DELEITAR. NA VIDA, NO QUARTO E NA CAMA.

Não sei se começou quando ela me pediu para passar o protetor em suas costas ou quando eu a avistei brincando sozinha com as ondas, sob essa luz bonita do sol escaldante de fevereiro. Dizem que as coisas bonitas ficam ainda mais bonitas perto de outras coisas igualmente bonitas, não é mesmo? E foi assim que eu a enxerguei naquele dia na praia. 

Eu estava sozinha na minha canga, e ela, na sua. Escolhi essa proximidade naquele impulso feminino de buscar segurança ao redor, e ela também demonstrou alívio com a minha chegada.

— Ai, que bom, outra mulher sozinha por aqui — foi soltando essa frase e me lançando um sorriso cúmplice, o qual retribuí. 

À medida que a manhã foi correndo, começamos a conversar frivolidades de praia e acabamos nos aproximando de vez. Ela é mineira e estava pelo Rio se preparando para um mochilão pelo litoral logo depois do Carnaval (e, se você acompanha meus textos por aqui, já sabe que tenho uma queda absoluta por essa gente viajante que se desprende nesse vai e vem das possibilidades – talvez porque eu queria um pouco ser assim também). Descobri que é amiga de uns amigos também mineiros, sua namorada chegaria em poucos dias, e veja só a sorte: assim como eu, ela tinha um relacionamento aberto. 

Dourávamos nossas peles no sol consumindo mates, esfirras e tudo mais que passava pela praia, sem perceber que, embaladas por nossa conversa, fomos sendo consumidas também pelo desejo de saber da vida uma da outra. E tem coisa mais bonita do que ouvir uma pessoa que você está interessade falar empolgade sobre as coisas que gosta? Acontece que a malícia desse encontro surgiu depois que ela me pediu para passar protetor solar em suas costas, o que, claro, eu atendi. 

Ajeitei suas tranças para o lado e deslizei as mãos de creme por sua pele parda quentinha de sol e de sal como quem tocava alguma coisa muito importante. Ela me repetiu um elogio já feito antes por outros amantes.

— Você tem mãos de massagista, hein. Já te falaram isso? — eu ri e, fazendo um movimento circular agora de fato, de massagem, respondi:

— Sabe que sim? É recorrente falarem isso.

— Ahh, melhor eu sair de perto de você então, se não vou querer experimentar uma massagem sua de verdade — disse, rindo, e foi se levantando, dando pulinhos de nervoso e caminhando para o mar enquanto me encarava. 

Fiquei passada com essa cena, e essa pausa dela longe foi excelente, na verdade, para que eu absorvesse o que estava acontecendo: eu estava mesmo flertando com uma mulher que tinha acabado de conhecer na praia? A resposta era não só sim, como SIM, E QUE DELÍCIA!

Observei da areia ela brincar com as ondas. Dei risada de alguns de seus quase caldos e, enquanto isso, me dei conta de que só se vive uma vez. Assim, quando veio voltando da água, a convidei em um impulso:

— Quer almoçar comigo? Podemos passar lá em casa antes, tirar um pouco esse sal, e, depois, eu conheço um PF ótimo.

E foi a partir desse “sim” que entramos em meu apartamento, eu ainda meio desconcertada, pensando que estava fazendo uma loucura, e ela, solta, me dando esporro por conta de minhas plantas secas e pedindo água para molhá-las, como se fosse minha amiga há tempos. Indiquei o caminho do banheiro, deixei uma toalha e, enquanto ajeitava algumas coisas, ouvi o chuveiro se abrindo. Acontece que, pouco tempo depois, escutei sua voz me chamando e, sentindo umas mil borboletas no estômago, fui até lá e parei, com a porta entreaberta. 

— Você não vem? Me deixa te ajudar a tirar esse sal do corpo…

Estava acontecendo, e a circunstância, mais uma vez, pedia que eu dissesse um “sim” ao desejo.

Quando abri a porta, dei de cara com ela já sem biquíni, ajeitando a temperatura da água.  Em seus peitos, havia uma marquinha de bronzeado super sexy, denotando a diferença do pardo de sua pele com o queimado de sol. E, sem me demorar muito, também fui tirando o short e me desamarrando das alças da roupa de banho e do pudor, para viver ali, com aquele corpo, tudo que eu pudesse. 

Dentro do box, demos um primeiro beijo sob a água doce do chuveiro – um beijo com gosto de sal, mate e protetor solar, tudo junto. Nos abraçamos por longos segundos, sentindo o frescor da água em contraste com o quente de nossa pele de sol e desejo, mas o que me chamou atenção de verdade foi a proximidade de nossos peitos, ambos com marcas do biquini recém-tirado. E, percebendo que eu olhava para essa parte específica de nossos corpos, ela não se demorou e me beijou o bico, descendo com a boca e, naquele momento, me entregando uma cena ainda mais linda: sua língua em meu mamilo água e sal, tipo aquela música do Zeca Baleiro. 

Entre carícias, seguimos nosso banho, compartilhando uma intimidade que parecia que já tínhamos de tão natural que eram nossos corpos ali, entrelaçados pela água. Amar uma mulher requer deixar a pressa de lado, o que bem fizemos, deslizando as mãos molhadas de sabonete pelo corpo e percorrendo com calma os caminhos que a aproximação casual na praia criou. Por isso, nossas brincadeiras se concentraram na mesma dança de mãos que selou nosso flerte. Ensaboei suas costas, refazendo os movimentos de mais cedo e, dessa vez, arrancando um suspiro, seguido de um beijo e de um mini ataque de seu corpo contra o meu – e do meu corpo contra a parede do box. Em seguida, ela encaixou sua coxa contra minha vulva e se esfregou, o que eu retribuí me esfregando de volta, fazendo com que ela sentisse meus pelos deslizando por sua pele. Persistimos nesse movimento por um tempo. Então, com os dedos, ela me tocou o clitóris com gentileza, agora me arrancando de volta um suspiro, mas não demorou ali. É que a fominha e preguiça pós-praia começaram a falar alto, com o roncar de um de nossos estômagos, nos arrancando risadas e cessando o momento de tesão. 

Tudo bem, tudo tem seu tempo. 

Pular o almoço direto para a sobremesa tem dessas coisas, e a tarde ainda está linda lá fora. 

Ela ainda fica mais uns dias na cidade, e há muito mais o que se viver sob o sol de fevereiro.

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