Sete ondas

HISTÓRIAS ERÓTICAS PARA MULHERES LIVRES. SE INSPIRE E DESPERTE A SUA IMAGINAÇÃO PARA SENTIR NA INTENSIDADE QUE VOCÊ DESEJA. CONTOS PARA GOZAR, SE DELEITAR. NA VIDA, NO QUARTO E NA CAMA.

Estar na beira de um mar assim, em noite de lua cheia, me lembrava das tantas histórias que contava minha vó sobre os perigos e as coisas bonitas que a noite nos reserva. Uma delas, transmitida por seus ancestrais Pataxós, falava exatamente do cenário que se desenhava à nossa frente: um banco de areia surgiu com a maré baixa refletindo a luz da lua, como se indicasse um caminho mar adentro que ia dar exatamente na lua cheia, imensa, brilhando por cima da água. 

Estávamos em um grupo de seis pessoas, todos casais. Entre ficantes e namorades, estávamos eu e Léo, ainda naquela empolgação de início de namoro. Caminhávamos com garrafas de bebidas procurando um lugar mais deserto para passar a virada de ano quando nos deparamos com aquele banco de areia hipnotizante, o que interrompeu nossa caminhada para viver o apaixonamento que uma cena-presente dessas nos causa. Claro que alguém teve a ideia de fazer justamente o que me foi alertado pela história Pataxó de minha vó: caminhar e ver onde ia dar o banco de areia. 

— Vai dar mar adentro, a maré fecha o caminho de volta e a gente fica preso por lá. Uma armadilha dos encantados ou história de antropóloga... Vocês decidem, mas, de qualquer forma, eu não acho uma boa ideia e não vou, não. Escuto minha vó... — Fui dizendo e já pegando minhas coisas sob os protestos de quem queria se aventurar. 

Acontece que os caminhos que o desejo desenhava entre nós pareciam mais interessantes, por ordem dos encantados naquela noite estonteante ou pelo próprio tesão que crescia em nosso ventre desde o início daquela viagem. Por isso, as reclamações do meu alerta não renderam muito, e seguimos a caminhada até um banco de areia mais manso, desses que levam o rio ao mar. Era ali, entre amores, rio, mar, lua e estrelas, que assistiríamos à virada do ano.

Acendemos uma pequena fogueira para afastar os mosquitos e nos ajudar a enxergar as coisas que trouxemos, nos reunindo por entre cangas. Porém, com o passar da noite e o calor das conversas, os casais começaram a se pegar e foram se afastando um pouco da fogueira – inclusive eu e Léo, que trocávamos risadinhas e propostas picantes a noite toda. 

Deitados em nossa canga, observamos o céu até sentir que éramos parte da natureza ali: só mais dois bichos na noite. Usava biquíni com uma camisa branca de botão que foi aberta por mim mesma, aos poucos, durante um assunto qualquer. Com os olhos perdidos e meio tontos de encarar o céu, voltamos nossos olhares um para o outro. Deitados frente a frente, me apoiei no ombro de modo que conseguisse passar a mão em seu cabelo. Apesar do fogo que conservávamos um com o outro, não existia mais pressa, e a noite era longa. 

Enquanto nos beijávamos, senti sua mão correr pelas minhas costas e desamarrar meu biquíni, me deixando com os peitos de fora. Por um momento, hesitei, mas segui aquele fluxo quando olhei ao redor e vi alguns de meus amigos já totalmente nus em meio à escuridão. Como havia percebido, os caminhos que nos seduziriam aquela noite seriam outros – não aquele que levava direto para a lua, mas o que nos levava ao contato com nossa natureza desejante. Assim, nossas roupas também foram sendo tiradas ao mesmo tempo que nos beijávamos entre a brisa salgada e os grãos de areia, que começaram a nos rodear. 

Ao longe, ouvimos um gemido alto, que foi seguido de alguém imitando e de risadas e comentários de quem mais escutou e não estava com a boca ocupada para reagir – sempre tem espaço para aquele humor da quinta-série, né? Tudo bem, porque isso quebrou o gelo e outros gemidos se seguiram, abafados por entre as ondas ao longe, agora sem piadolas. 

Desci com uma das mãos pelo seu peito até o seu pau, que estava mole, e apenas fiquei com a mão parada enquanto segui com o carinho em seus cabelos e, vez ou outra, trocando algum beijo. Fazendo isso, ele ficou mais calado e, aos poucos, foi se excitando em minha mão, o que foi incrível de sentir acontecer assim, sem pressa. Meus toques, que antes eram sutis, ficaram mais intensos, de modo que comecei a masturbá-lo, só parando antes para procurar na bolsa um lubrificante que nos ajudaria com o deslize. 

Apoiei uma das minhas coxas sobre a sua e comecei a pressionar minha buceta contra ele, ao mesmo tempo que subia e descia com os punhos fechados e sentia, com nossos corpos próximos, seus espasmos de prazer aumentando com o tempo, se tornando gemidos e me entregando o gozo quente, direto na mão.

Ainda enquanto suspirava pelo prazer que acabara de sentir, eu deslizei com as mãos por sua barriga e peito. Espalhei por ali sua porra, me deitando em cima dele em um abraço e sentindo o líquido morno deslizar entre nossos corpos. Trocamos um beijo intenso, desses que faz você esquecer quem é, e, antes que ele ameaçasse se levantar para me retribuir aquele prazer, escutamos ao longe nossos amigos gritarem que faltavam três minutos para a meia-noite:

— Vamos pular sete ondas, tá chegando meia-noite – disse, e fui me levantando, olhando ao redor para ver se o dress code ainda era nu total. Felizmente, sim! 

Apesar da lua brilhar alta no céu naquele momento, ela refletia direto na água, sem o perigo de alguém se perder por caminhar demais. O caminho de seu reflexo indicava, naquele instante, não mais um perigo, mas uma delícia: toda uma gente amiga, a maioria nua, correndo para o mar, brincando por entre as ondas mansas da maré baixa. Um sorriso de esperança e empolgação brotou dentro de mim com aquela cena e segui, também correndo rumo à água, com uma certa urgência de virar o ano logo e voltar ao que eu estava fazendo minutos atrás. 

Puladas as minhas ondas, estourado o champanhe e trocados os abraços pelados com quem estava próximo, outra contagem regressiva seguia em minha cabeça.

— Podemos continuar de onde paramos ano passado? 

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