Brilho, suor e desejo

HISTÓRIAS ERÓTICAS PARA MULHERES LIVRES. SE INSPIRE E DESPERTE A SUA IMAGINAÇÃO PARA SENTIR NA INTENSIDADE QUE VOCÊ DESEJA. CONTOS PARA GOZAR, SE DELEITAR. NA VIDA, NO QUARTO E NA CAMA.

Já é carnaval, cidade! De nossa central caseira de fantasias, nos preparamos para o primeiro melhor dia mais esperado do ano todo. É nesse espaço-tempo suspenso que podemos colocar em prática as nossas fantasias (de vestir ou não) e jogamos nosso corpo na euforia coletiva alucinante que é estar ao redor de outros milhares querendo viver tudo o que for possível. 

Digo tempo suspenso porque, nesse período, as regras são flexíveis. Os amores são mais líquidos, corpos de fora são mais aceitos, tá liberada a cerveja 8 da manhã e também tá liberado acordar nesse horário com sorriso no rosto para ir ao bloco (coisa que não acontece a caminho do trabalho). Meu grupo de amigos faz de minha casa o nosso “QG” do amor, um acampamento realmente do bem, com purpurina que vai se estender pelos cantos no resto do ano todo, denunciando os corpos e a felicidade que desfilaram por aqui. 

Ana e Rafa, minhas melhores amigas, se vestem comigo enquanto, na cozinha, Edu, meu marido, prepara nosso café. Conversamos animadas conforme colocamos nossas poucas roupas, e, em seguida, de buchinho cheio e hidratadas, saímos pelas ruas rumo à nossa primeira agenda de bloquinhos do dia.

Acontece que, ao longo da manhã, enquanto subimos e descemos as ruas embaladas por trompetes, tambores e toda música gostosa dessa época do ano, nosso desejo também vai se embalando. Excitada com a proximidade dos corpos ao meu redor, comecei a sentir uma queda pela Ana, que estava mais próxima de mim do que o normal, dançando colada às minhas coxas com frequência. Observando de longe, Rafa e Edu davam risada, pois sabiam bem que a bi que existe em mim não resiste a um corpo de mulher colado assim. Dito e feito: em uma daquelas quebradeiras-reboladas com o corpo mais próximo, nossos rostos se colaram, e rolou o primeiro selinho assim, bem de brincadeira. Então, os dois se aproximaram, fazendo uma rodinha não só para nos proteger de babacas ao redor, mas também para zoar, claro. O espírito de quinta série não resiste a um deslize, mesmo que de uma delícia assim, né?

O segundo beijo que ditaria o destino da tarde aconteceu entre Rafa e meu marido. É que fizemos um sanduíche muito bobo (ou delicioso) visto de fora enquanto dançávamos, com ela no meio, Edu em uma ponta e Ana atrás de mim. Quando me vi nessa situação, desisti de entender o curso do desejo e só segui. É que me bateu uma vontade doida de ver meu marido beijando outra mulher – e uma oportunidade dessas a gente não desperdiça, não é mesmo? E, enquanto rebolávamos, os quatro deslizando nossos corpos uns pelos outros, por cima do ombro da Rafa, eu cochichei para o Edu:

— Beija ela! 

O passo seguinte foi dele, que, entendendo o recado na minha leitura de lábios, não demorou e foi se aproximando de seu rosto, me entregando a cena bonita do beijo que eu fantasiei e atraindo os olhares de todo mundo ao redor. Atrás de mim, Ana gritou chocada, pois desconhecia a dinâmica de casal que ela acabava de presenciar: por aqui, amor demais a gente compartilha. Na sequência, fomos nós quem os circulamos dessa vez, pulando com a música e dando gritinhos de empolgação. 

Eu desejo o desejo de Edu e todas as suas formas de manifestação. Vê-lo assim, nos braços de outra pessoa querida que também frequenta meus braços, só me alimenta, me enche de libido para além do simples tesão: me dá vontade de viver tudo que for possível desse desejo ao seu lado. Expliquei mais ou menos isso para Ana em palavras simples e possíveis em meio ao caos de gente pulando e seguimos tarde a fora, trocando esses carinhos e demonstrações de afeto. Quem estava de fora podia até não entender, mas é carnaval. Explicações são dispensáveis.

Aconteceu que, fim de tarde, empolgados e no último gás do dia, a gente encontrou uma rua mais vazia, e o centro do Rio estava prestes a presenciar mais uma das tantas cenas de afeto do carnaval: eu e Ana finalmente demos um beijo de língua, intenso e voraz – com a urgência de quem se permitiu e disse sim entre tantos selinhos, reboladas e roçadas de corpo colado. Ao meu lado, Rafa e Edu seguiram na mesma intensidade, também se beijando. Entre uma respirada e outra, Edu me puxou também para um beijo. Como estávamos os dois encostados na parede, as meninas à nossa frente ficaram soltas por um momento e, sem hesitar, também se beijaram, começando ali uma troca deliciosa de se viver. Na pausa risonha que as duas fizeram, agora fui eu quem puxei a Rafa para um beijo, enquanto Ana e Edu seguiram o movimento e trocaram de lado também para se beijar. Acontece que eu e Rafa conhecemos mais nossos caminhos de desejo, e era inevitável que a coisa não seguisse um rumo mais intenso.

Enquanto a beijava, com as duas mãos, apertei com força sua bunda e a trouxe para mais perto de mim, a encaixando em uma de minhas coxas, de modo que ela ficou livre para um movimento que fluía deliciosamente entre nós: tínhamos um encaixe perfeito para nos masturbarmos durante essas pegadas. Reconhecendo isso, ela começou a se esfregar de leve, e, entre beijos, senti sua vulva se deslizar por onde conseguisse. Ela usava um top com hot pants, e, quando o tesão começou a falar mais alto, sem pensar duas vezes, desci com a boca, me ajoelhei, coloquei sua calcinha de lado e comecei a chupá-la, em um impulso alucinante de desejo. Ao nosso redor, Edu e Ana, percebendo a cena, correram para a esquina e começaram a vigiar o movimento. É que o som do mini trio estava se aproximando! 

As mãos de Rafa seguravam meu cabelo com força, enquanto eu, com um misto de pressa e gentileza, segui percorrendo minha língua por onde conseguisse e causando pequenos espasmos em sua perna. Não fosse a loucura de estarmos na rua e na correria, eu teria me demorado o suficiente no cantinho que ela gosta, mas fomos interrompidas pelo alerta de nossos vigias, que gritaram da esquina:

— O bloco tá vindoooooo!

Rapidamente me levantei e encarei por uns instantes seu rosto maravilhado, corada de quem estava se deleitando, e, em um abraço cúmplice, sentimos nosso coração a mil. 

— É que eu tava com sede, sabe… — ela me interrompeu com o riso escandaloso que amava receber depois que falava umas coisas assim canalhas. 

Enquanto terminávamos de ajeitar nossas roupas e seguíamos para a esquina encontrar o bloco, sentimos os primeiros pingos da chuva grossa de verão que se aproximava: um alívio, depois do calor do dia e da quentura dos últimos momentos. E, ainda entre risos, seguimos os quatro, vivendo a delícia do fim de tarde agora de chuva, suor e desejo atrás do bloco que acabava de chegar em nossa ruazinha antes deserta. 

Quantas histórias parecidas essa rua já não deve ter presenciado?

Quantas memórias gostosas assim ainda não viveremos? 

Espero que muitas até a quarta-feira.

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